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	<title>Modernidade Líquida</title>
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		<title>O verão e Camélia Jordana</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 14:56:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela tem 17 anos, chama Camélia Jordana e, na canção aí de baixo, canta o &#171;&#160;mês de agosto em Paris&#160;&#187;. Agosto ainda não chegou, mas os dias já são tórridos por aqui, com tardes arrastadas e suadas. E com a canção Non, Non, Non, de Camélia, tocando nas rádios. A garota, de origem argelina, foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela tem 17 anos, chama Camélia Jordana e, na canção aí de baixo, canta o &laquo;&nbsp;mês de agosto em Paris&nbsp;&raquo;. Agosto ainda não chegou, mas os dias já são tórridos por aqui, com tardes arrastadas e suadas. E com a canção <a href="http://www.youtube.com/watch?v=U05LgrRzNt8" target="_blank">Non, Non, Non</a>, de Camélia, tocando nas rádios. A garota, de origem argelina, foi revelada no Nouvelle Star do ano passado (a versão francesa do American Idol ou do Ídolos, no Brasil), quando terminou a competição em terceiro lugar.</p>
<p>Em março deste ano saiu seu primeiro álbum, pela Sony, com um mix de pop, chanson, jazz e rock. O hit de estreia, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=U05LgrRzNt8" target="_blank">Non, Non, Non</a>, é roqueiro, mas não é exatamente uma boa amostra do disco. Prefiro Le Mois D&#8217;Août à Paris e recomendo escutar o álbum todo, que está, de graça, lá no mágico site <a href="http://www.deezer.com/en/#music/result/all/camelia%20jordana" target="_blank">Deezer</a>.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/S1927HnHMls&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/S1927HnHMls&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>ZH</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 17:29:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[all]]></category>

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		<description><![CDATA[Linko aqui duas colaborações recentes para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre:

 Texto sobre a desclassificação da França na Copa do Mundo, para o jornal impresso.


Texto e foto sobre o escritor britânico Will Self, para o blog Mundo Livro.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Linko aqui duas colaborações recentes para o jornal Zero Hora, de Porto Alegre:</p>
<ul>
<li> Texto sobre a <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a2948379.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=14951&amp;section=1997" target="_blank">desclassificação da França</a> na Copa do Mundo, para o jornal impresso.</li>
</ul>
<ul>
<li>Texto e foto sobre o <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2010/06/28/will-self-o-oriente-e-o-brasil/" target="_blank">escritor britânico Will Self</a>, para o blog Mundo Livro.</li>
</ul>
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		<title>Pensando o nosso Baziu-ziu-ziu</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Jun 2010 01:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[all]]></category>

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		<description><![CDATA[
Este espaço anda um pouquinho desatualizado, mas a partir de agora você pode me ler também no Braziu.org. Me juntei a este time de velhos e novos amigos &#8212; com gente na China, na Itália, nos EUA, no Brasil e aqui mesmo na França &#8212; para debater o mundo e, principalmente, o BraZIU.
Este blog seguirá, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://www.braziu.org/logo_oficial.png" alt="" width="229" height="68" /></p>
<p>Este espaço anda um pouquinho desatualizado, mas a partir de agora você pode me ler também no <a href="http://www.braziu.org/" target="_blank">Braziu.org</a>. Me juntei a este time de velhos e novos amigos &#8212; com gente na China, na Itália, nos EUA, no Brasil e aqui mesmo na França &#8212; para debater o mundo e, principalmente, o BraZIU.</p>
<p>Este blog seguirá, mas para receber um conteúdo mais pessoal, esses meus videozinhos toscos do celular e coisa e tal. Sobre política e outras hard-amenidades, a partir de agora, é lá no <a href="http://www.braziu.org/" target="_blank">Braziu.org</a>.</p>
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		<title>Os dedos de Joanna</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 00:10:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
E aí vai a última canção do último show da turnê europeia de Joanna Newsom ao lado de Roy Harper, que aconteceu agora há pouco, no Parc da la Villette. 10 longos minutos registrados toscamente no meu celular, mas que não precisam de maiores descrições.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NjLWv0P-EOs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/NjLWv0P-EOs&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>E aí vai a última canção do último show da turnê europeia de Joanna Newsom ao lado de Roy Harper, que aconteceu agora há pouco, no Parc da la Villette. 10 longos minutos registrados toscamente no meu celular, mas que não precisam de maiores descrições.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O rock e a América</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 00:47:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Matt Berninger, do The National, em meio ao público do Zenith, em Paris


Tem duas frases de americanos sobre a América que eu gosto bastante. A primeira é uma de Al Smith, ex-governador de Nova York (1923 – 1928), que deveria estar guardada num cantinho do cérebro de qualquer jornalista, sempre à espreita: “Todos os males [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="The National em Paris" src="http://i338.photobucket.com/albums/n407/gabrielbrust/07052010050.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Matt Berninger, do The National, em meio ao público do Zenith, em Paris</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><br />
</strong></p>
<p>Tem duas frases de americanos sobre a América que eu gosto bastante. A primeira é uma de Al Smith, ex-governador de Nova York (1923 – 1928), que deveria estar guardada num cantinho do cérebro de qualquer jornalista, sempre à espreita: “Todos os males da democracia podem ser curados com MAIS democracia”. A outra é aquela do Bill Clinton no seu <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2SWjIPwm954&amp;feature=related" target="_blank">discurso de posse em 1993</a>, prestes a inaugurar oito dos mais bem sucedidos anos da história dos Estados Unidos: “Não há nada de errado na América que não possa ser curado com o que há de bom na América”.</p>
<p>O paralelo entre as duas frases é flagrante: ambas falam em encontrar antídotos para eventuais problemas nas nuances destes mesmos problemas, tal é o grau de confiança que esses caras tinham nos valores que fundaram o seu país. Mas há ainda outro sentimento por trás das duas frases: o de que às vezes só o caos resolve para ressurgirmos mais fortes. O de que é preciso reconhecer os erros e colocar abaixo, nós mesmos, a nossa própria casa, quando necessário, para reconstruí-la. Enquanto os outros tentaram esconder seus próprios erros, para seguir patinando na própria decadência, a América, ao longo do século 20, especializou-se em desmoralizar a si mesma, internamente, para ressurgir sempre mais forte. Basta observar que quem mais critica e ri dos valores americanos no mundo são <a href="http://www.youtube.com/watch?v=oM-_hz2LLZk&amp;feature=related" target="_blank">os próprios americanos</a>.</p>
<p>Será que dessa vez, em meio a essa crise econômica complicada e a esse mal estar em relação ao governo Obama que começa a ganhar contornos de revolução, será que dessa vez, vai ser diferente?</p>
<p>É claro que eu não estava pensando em nada disso quando peguei na geladeira uma latinha de Kronenbourg, a odiosa cerveja popular francesa, e disse “au revoir, chérie”, para Lihn, minha namorada cambojana que nunca ouviu falar dos Beatles. Estalei a lata ao descer as escadas da montanha de Montmartre em direção ao metrô que rumaria ao <a href="http://www.zenith-paris.com/index2.php" target="_blank">Zenith</a>, no limite de Paris com a banlieur barra-pesada. Era noite de conferir duas bandas representativas do rock dos Estados Unidos: Pavement e The National. A primeira, uma das mais legais e influentes dos anos 90, encabeçando a noite, em sua turnê revival. A segunda, prestes a lançar seu quinto e fantástico disco, High Violet, e como que a representar o respiro atual do rock americano.</p>
<p>Turnês revival, como esta que o Pavement está fazendo, podem soar sempre oportunistas, mas foi impossível às quase sete mil pessoas que foram ao Zenith não se emocionar ao ouvir a inconfundível e eternamente adolescente voz de Stephen Malkmus. Ele é como Michael J. Fox: pode ter 60 anos que continuará com a cara e a voz de um garoto de 18. Eram quase sete mil quase-trintões, é verdade, um pessoal que segue fiel aos óculos de aro grosso, mas cuja barba já começa a deixar escapar um ou outro fio branco. O sentimento ao ouvir Stephen berrar os versos de “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=AnrM4UjaQmY" target="_blank">Stereo</a>” e “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=BoMdkyeZOqE" target="_blank">Cut Your Hair</a>” com aquelas guitarras todas tortas e o sorriso displicente no rosto era difícil de definir, mas na minha cabeça veio uma frase que li no Twitter dia desses, postada junto com um link para “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=YIwUxq0BMSE" target="_blank">Today</a>”, dos Smashing Pumpkins. Dizia: “só foi jovem quem foi jovem nos anos 90”. Eu era apenas um pré-adolescente um tanto precoce quando ouvi pela primeira vez “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=oPWzf2wKbvg" target="_blank">Spit on a Stranger</a>”, mas foi o suficiente para me fazer concordar plenamente com a frase e me emocionar até o fígado ao ouvir Malkmus dedilhar a canção.</p>
<p>É com muita dignidade que o Pavement está fazendo essa turnê de retorno. É bem vinda demais nos dias atuais uma dose desse rock low-profile, sem pose, de jeans e camiseta e dando risada, que havia tanto na primeira metade dos anos 90.</p>
<p>Voltando três vezes para o bis, a noite foi de consagração para o Pavement, mas isso já era esperado. O que eu queria falar mesmo nesse texto, desde o começo – ok, eu sei que está demorando &#8211;, era sobre o The National. Coube a eles a abertura da noite, diante de um Zenith ainda vazio. O desinformado público francês não fazia ideia de que o show de abertura estaria nas mãos da banda que está lançando o melhor disco de rock de 2010. Restou a mim e a uma meia dúzia de bravos assistir ao show grudados na grade, ao redor do palco. E tivemos a recompensa. É verdade que a banda foi cruel em não priorizar o repertório do disco novo, que sai no dia 11, semana que vem. Até porque eles têm datas marcadas para lançar <a href="http://www.highviolet.com/" target="_blank">High Violet</a> em Paris láááá em novembro. A noite, portanto, era apenas uma camaradagem para abrir o show do Pavement. Matt Berninger subiu ao palco no espírito francês, com uma taça de vinho na mão e soltou a voz que lhe rende comparações frequentes com Morrissey.</p>
<p>Eu já tinha visto o The National no Rio em 2008, mas num show completamente sem clima, antes do MGMT, naquele calorão de verão. The National é banda para se ver numa noite fria de primavera como a dessa sexta. Berninger deve concordar comigo, porque estava numa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OEaKQyzvuj4" target="_blank">euforia completamente desproporcional</a> ao vazio do público e à própria música introspectiva que produz. Tive certeza desse entusiasmo além da conta quando, no meio da penúltima música, ele resolveu descer do palco, pular a grade que o separava do público, me agarrar pelo pescoço com uma mão e seguir cantando com o microfone na outra. Joguei minha cerveja pra cima – uma parte provavelmente no paletó dele – e entrei no clima, assim como todo o povo que acabou soterrando o vocalista (fotos do momento estão no início e no fim deste post).</p>
<p>Ao voltar ao palco, Berninger agradeceu à sua mãe (!!!), que estava no público. Enfim, um desfecho que ninguém esperava para o show da banda nova iorquina de canções reflexivas e belas que honra e muito uma herança que vai de Lou Reed a Leonard Cohen, passando por Nick Drake e Elliott Smith.</p>
<p>Terminada a noite, fui caminhando ao lado da multidão de volta ao metrô pelo gramado do <a href="http://www.villette.com/fr/" target="_blank">Parc de la Villette</a>, onde fica o Zenith. E pensando sobre como essa noite com duas bandas norte-americanas “da gema” tinha dado uma tremida no meu cotidiano cuzão parisiense. Sobre como a receita da América que mistura inconsequência e tradição não se esgota nunca. Cheguei em casa eufórico, cheio de planos.</p>
<p>&#8211; Lihn, chérie, vamos embora! Chega desse atraso de vida em Paris, dessa gente provinciana e conservadora, dessas festas em que ninguém come ninguém, dessa aristocracia travestida de revolução, dessa arte que parou na Belle Époque. Vamos para a América! Você aprende inglês rápido. Se não aprender, a gente dá um jeito de encontrar gente que fale francês para você não se entediar. Faça a sua mala, chérie, nós vamos para LA! – disparei, enquanto ainda pendurava o casaco na porta.</p>
<p>&#8211; Mas nós temos que ir à feira de Belleville amanhã pela manhã comprar um pato para domingo &#8212; respondeu ela.</p>
<p>&#8211; &#8230;</p>
<p>Lihn nunca ouviu falar dos Beatles, mas sempre tem um bom argumento.</p>
<p>Esqueci a viagem por enquanto e fui dormir pensando no sorriso displicente de Stephen Malkmus, na euforia deslocada de Matt Berninger e nessa crença quase metafísica da América em seus valores que estão sempre prestes a ruir. Sonhei que acordava em Bunker Hill.</p>
<p><img class="aligncenter" title="The National, no Zenith em Paris" src="http://i338.photobucket.com/albums/n407/gabrielbrust/07052010051.jpg" alt="" /></p>
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		<title>Sobre envelhecer</title>
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		<pubDate>Sun, 02 May 2010 11:53:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Chico Buarque, o integrante ilustre da comunidade brasileira aqui em Paris, em entrevista à Brazuka (revista local direcionada justamente a este público):
&#171;&#160;Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="Brazuka" src="http://www.brazucaonline.org/images/magimg/brazuca.jpg" alt="" width="145" height="199" /></p>
<p>Chico Buarque, o integrante ilustre da comunidade brasileira aqui em Paris, em entrevista à Brazuka (revista local direcionada justamente a este público):</p>
<p><strong>&laquo;&nbsp;Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer.  (&#8230;) Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.&nbsp;&raquo;</strong></p>
<p>Dá para ler a íntegra da entrevista, em que Chico também revela que votará em Dilma apesar de não ver difereça etre ela e Serra, <a href="http://www.brazucaonline.org/" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>Romain Gravas</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 15:23:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O cineasta Romain Gravas, filho do lendário Costa-Gravas, volta a causar polêmica com mais um vídeo clipe cheio de violência, desta vez para o baita som Born Free, da M.I.A. Como já foi (bem) observado por muita gente por aí, seus trabalhos chocam pura e simplesmente pelas cenas agressivas, e muito pouco pelas ideias. Li [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cineasta Romain Gravas, filho do lendário Costa-Gravas, volta a causar polêmica com mais um vídeo clipe cheio de violência, desta vez para o baita som <a href="http://vimeo.com/11219730" target="_blank">Born Free</a>, da M.I.A. Como já foi (bem) observado por muita gente por aí, seus trabalhos chocam pura e simplesmente pelas cenas agressivas, e muito pouco pelas ideias. Li gente chamando o vídeo de político &#8212; mas a verdade é que ele é de um vazio eloquente.</p>
<p>Vale a pena conferir, no entanto, o clipe que ele fez para Stress, do Justice. Ali sim, pancadaria, mas, ao mesmo tempo, uma espécie de retrato dos jovens da banlieur parisiense. A maior parte do filme se passa na periferia, mas tem uma cena filmada aqui ao lado de casa, na Igreja Sacro Coeur. Não tive como não me deixar contagiar pelo humor negro nas cenas a partir do 1 minuto e 47 segundos, em que os carinhas enchem de porrada uns malas que costumam ficar tocando violão nas escadarias da basílica. Veja:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="400" height="225" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=9518258&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="400" height="225" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=9518258&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><a href="http://vimeo.com/9518258">Jus†ice, Stress</a> from <a href="http://vimeo.com/user3148077">ROMAIN-GAVRAS</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A resistência da boemia</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 18:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
				<category><![CDATA[all]]></category>

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		<description><![CDATA[
Viver em Paris com pouca grana &#8212; e mesmo que não seja tão pouca assim &#8212; é certeza de ter que viver em um apartamento pequeno. Quase sempre um &#171;&#160;stúdio&#160;&#187;, como eles aqui chamam os quitinetes tentando dar algum glamour a uma dúzia de metros-quadrados. Em 2009 a cidade voltou a ser a mais cara [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/JJZm2Qb1VFg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/JJZm2Qb1VFg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Viver em Paris com pouca grana &#8212; e mesmo que não seja tão pouca assim &#8212; é certeza de ter que viver em um apartamento pequeno. Quase sempre um &laquo;&nbsp;stúdio&nbsp;&raquo;, como eles aqui chamam os quitinetes tentando dar algum glamour a uma dúzia de metros-quadrados. Em 2009 a cidade voltou a ser <a href="http://www.viajandaunblog.pop.com.br/post/2130/paris-e-a-cidade-mais-cara-do-mundo-segundo-the-economist" target="_blank">a mais cara para se viver no mundo</a>, e isso em boa parte é reflexo dos preços exorbidantes dos aluguéis. E é por isso que, num bairro jovem como Montmartre, onde moro, alguns lugares, como parques e bares, acabam se tornando a extensão da casa. Foi o que aconteceu com o <a href="http://maps.google.com/maps/place?hl=pt-BR&amp;client=firefox-a&amp;hs=fMb&amp;rls=org.mozilla:pt-BR:official&amp;lr=&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;q=au+clair+de+lune+paris&amp;fb=1&amp;hq=au+clair+de+lune&amp;hnear=paris&amp;cid=2844251389867727360" target="_blank">Au Clair de Lune</a> para mim e para vários vizinhos &#8212; além do monte de jovens turistas que se hospedam pelos albergues das redondezas.</p>
<p>Com um clima de boteco-chique-decadente que é a cara de Montmartre &#8212; o antigo bairro dos artistas e ainda dos cabarés &#8211;, o Au Clair de Lune é certeza de diversão nas noites de segunda a segunda. E ainda dá para tomar café da manhã lendo os jornais do dia de graça. Quer dizer, é impossível não ficar amigo de todo mundo. Na primeira vez que levei lá uma vizinha norte-americana, expliquei pra ela, em tom de piada, que ali era o meu &laquo;&nbsp;living room&nbsp;&raquo;. A piada pegou tanto que, até poucos dias, eu não sabia o nome em francês, porque só chamamos de living room. No domingo retrasado, estreiei como &laquo;&nbsp;sound-colocator&nbsp;&raquo; (aquele DJ que só aperta o play no notebook) fazendo uma noite de música brasileira cool &#8212; nada das gringaiadas sobre o Brasil que eles costumam ouvir por aqui.</p>
<p>O senão dessa diversão toda é apenas um: o Au Clair de Lune, como a maior parte dos bares de Paris, sofre com o conjunto de leis que tem reprimido cada vez mais a boemia. Existe até um manifesto para &laquo;&nbsp;<a href="http://www.rue89.com/2009/10/28/une-petition-pour-sauver-la-nuit-a-paris-123718" target="_blank">salvar a noite de Paris</a>&laquo;&nbsp;, diante de tanta perseguição da prefeitura e de alguns moradores &laquo;&nbsp;de família&nbsp;&raquo;. Espero que dê resultado. Por hora, quase tudo é obrigado a fechar às 2h da manhã. Aqui em Montmartre, o movimento de resistência é forte. O Au Clair de Lune fecha, a gente é obrigada a sair, mas a festa continua no meio da rua, como se pode ver no vídeo aí de cima, que eu fiz há alguns dias. Bem que eu queria ver a cara da tiazinha tentando dormir no prédio em frente.</p>
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		<title>Os anônimos e os duendes da morte</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 22:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Por estar fora do país, ainda não assisti ao filme, mas tenho motivos de sobra para desconfiar de que Os Famosos e os Duendes da Morte, o primeiro longa-metragem de Esmir Filho, está chegando para causar um pequeno grande estrago no meio cultural do Rio Grande do Sul – para além do sucesso de crítica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="yonlu" src="http://i.ytimg.com/vi/S4A1v6Uzo0Q/0.jpg" alt="" width="480" height="360" /></p>
<p>Por estar fora do país, ainda não assisti ao filme, mas tenho motivos de sobra para desconfiar de que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rlfHDO1EjDQ" target="_blank"><em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em></a>, o primeiro longa-metragem de Esmir Filho, está chegando para causar um pequeno grande estrago no meio cultural do Rio Grande do Sul – para além do sucesso de crítica que ele já é no plano nacional. É possível vislumbrar como rastro de <em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em>, para os pampas, não apenas o surgimento de um clássico-cult instantâneo – isso ele está se tornando aos poucos, minuto a minuto, no panteão onde os clássicos hoje são forjados, nos bate-bocas das redes sociais da internet.</p>
<p>O que o longa-metragem de Esmir Filho está fazendo, em paradoxo ao seu clima nublado e reflexivo, é jogar sob os holofotes um grupo de criadores gaúchos que não começou a trabalhar ontem, mas que, por algum motivo, caminhou “al lado del camino” durante todos estes anos. Uma geração de artistas jovens que se mostra verdadeiramente “outsider”, no sentido simbólico e concreto da expressão. No concreto, vemos que parte deles vêm do interior do Estado, e os que são da Capital não frequentam os bares considerados “certos” para aparecer no patético colunismo social alternativo porto-alegrense. No simbólico, vemos uma produção experimental e com qualidade há tempos perdida pela produção artística do Rio Grande do Sul. Quem duvida pode ir atrás do trabalho de três artistas que são filhos legítimos – ou pais, primos, cunhados, é difícil descrever agora quem veio antes – de <em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em>: a obra escrita e teatral de Ismael Canappeli, e as canções de Nelo Johann e as músicas e criações gráficas de Yoñlu (uma delas reproduzida aí em cima).</p>
<p>De uma forma ou de outra, estes três jovens gaúchos cujas obras são tão bem representadas por <em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em><strong><em> </em></strong>cruzaram meu caminho nos últimos anos, muito mais por um conjunto incrível de coincidências do que por minha condição de jornalista observador da cultura jovem de Porto Alegre. Nenhum deles nunca buscou os holofotes – e, outsiders que são, arrisco dizer que teriam preferido ficar bem distantes das páginas de jornal dedicadas à cena “alternativa” que eu redigi nos últimos anos.</p>
<p>Encontrei o fio da meada que me levaria aos poucos ao trabalho de cada um deles em 2008, ao conhecer as canções que o jovem Vinicius Gageiro Marques havia deixado gravadas em seu computador antes de se suicidar, dois anos antes, em seu apartamento em Porto Alegre. Sob o pseudônimo Yoñlu, Vinicius, morto aos 16, produziu um punhado de pequenas pérolas que viraram um disco póstumo. No mesma manhã em que <a href="http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&amp;local=1&amp;source=a1744864.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=9178&amp;section=88" target="_blank">a minha reportagem</a> sobre a triste e fascinante trajetória de Yoñlu chegou às bancas de jornal, recebi um telefonema de uma pessoa que dizia ter acabado de ler e estava ainda impressionada. A história que eu contara na capa do Segundo Caderno – o garoto recluso que se escondia do mundo real mas tinha milhões de amigos na internet e uma incrível produção artística desconhecida – era muito parecida com a que ela estava se preparando para filmar.</p>
<p>Hoje não consigo lembrar se, do outro lado da linha, estava Ismael Caneppele ou Esmir Filho – os dois nomes por trás de <em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em><strong><em> </em></strong>e que naquela época não me diziam nada. Baseado no livro de Caneppele, a dupla já estava debruçada sobre o mundo paralelo dos jovens no ciberespaço. Depois de dar as instruções de como eles poderiam conhecer a obra de Yoñlu, desliguei o telefone e não teria mais notícias do filme até o seu lançamento.</p>
<p>Alguns meses depois, naquele mesmo 2008, durante o Porto Alegre em Cena, fui até o Teatro do CIEE acompanhar a seleção de elenco para a peça de Peter Brooke, <em>O Grande Inquisidor</em>. Como anunciado, o protagonista Bruce Myers escolheria um ator gaúcho para contracenar ao seu lado nas apresentações em Porto Alegre. Incumbido de redigir um perfil do “escolhido” após os testes, acabei entrevistando Ismael Caneppele.</p>
<p>Naquela tarde sob o sol do inverno de Porto Alegre, não liguei o nome à pessoa do telefone, mas fiquei impressionado com a história do cara: não só tinha sido escolhido por Bruce Myers como tinha uma longa carreira como ator longe dos pampas. Me contou que, ainda jovem, deixou Lajeado e foi direto a São Paulo bater na porta de Gerald Thomaz. Acabou atuando em peças do controverso diretor, depois<em> </em>morou na Alemanha e na Croácia, onde foi assistente de direção em ópera e ator de teatro. De volta ao Brasil, vivia em São Paulo e tinha também escrito um punhado de romances para o público jovem. Lembro de ter ficado impressionado com a história e de ter sentido aquela mesma sensação da época em que ouvi as canções de Yoñlu: onde eu – nós – estávamos enquanto esses caras estavam produzindo tudo isso?</p>
<p>Agora, com o tal filme daqueles caras que me ligaram numa manhã de 2008 transformado em realidade, aparece junto a obra de Nelo Johann – ou o sujeito quietão que eu via com frequência pela noite da Capital tomando um trago com uma guitarra pendurada nas costas – bem como nas salas do curso de Ciências Sociais da UFRGS no início da década. Era outro que estava fazendo “tudo isso” sem que ninguém soubesse.</p>
<p>Trazendo toda essa turma – e mais um bando de jovens estreiantes no elenco –, <em>Os Famosos e os Duendes da Morte</em><strong><em> </em></strong>surge como uma espécie de catalisador de talentosos artistas locais que têm, em comum, uma trajetória marginal. Mas não à margem de tudo: à margem da cena cultural gaúcha – aquela que estamos acostumados, e até já cansados, de ver nos jornais, rádios, blogs, TVs e casas de espetáculo de Porto Alegre. E agora eles surgem com um trabalho que está – dizem todos as críticas – acima da média desta produção que costuma ser celebrada “por nós”. Nos jogam na cara uma criação artística sólida que traz, acima de tudo, a marca da universalidade, distante de qualquer ranço local. Será superior e universal justamente porque foram criar bem longe e não fizeram nenhuma questão de, primeiro, passar pelo discutível “crivo local”? Não tenho a resposta, mas tenho uma certeza: esta é a novidade que a cultura do Rio Grande do Sul precisava. Uma produção artística que nos livre um pouco de nós mesmos.</p>
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		<title>Para nossa vergonhosa juventude chapa-branca</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 22:43:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Acabei de virar a última página de Politics and English Language, de George Orwell, um dos ensaios do ótimo WHY I WRITE (edição da Penguim Books), terminando com as palavras aí embaixo e com um sorriso no rosto.
Me pareceu incrivelmente pertinente para estes tempos tenebrosos da política brasileira. Não, não me refiro aos nossos políticos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="h" src="http://libertas.ws/wp-content/uploads/2009/04/george_orwell.jpg" alt="" width="300" height="394" /></p>
<p>Acabei de virar a última página de <em>Politics and English Language</em>, de George Orwell, um dos ensaios do ótimo <em>WHY I WRITE</em> (edição da Penguim Books), terminando com as palavras aí embaixo e com um sorriso no rosto.</p>
<p>Me pareceu incrivelmente pertinente para estes tempos tenebrosos da política brasileira. Não, não me refiro aos nossos políticos. Esses sempre foram uns picaretas. Me refiro a uma característica bastante peculiar destes novos tempos de política ufanista no Brasil: nossos jovens estão adulando os picaretas.</p>
<p>Hoje vejo pessoas de 20 e poucos anos defendendo ditaduras pelo mundo e tentando achar explicação fajuta para políticos com dinheiro na cueca &#8212; tudo em nome do nosso governo corrupto. Ou em nome de alguns poucos centavos &#8212; eles chovem direto do governo para a conta da União Nacional dos Estudantes. A mesma juventude que pede a cabeça do ladrão Arruda no DF, é a que há cinco anos ignora solenemente o mensalão petista. É a mesma que agora está ignorando o roubo de dinheiro de <a href="http://noticias.r7.com/brasil/noticias/bancaria-perde-apartamento-do-bancoop-as-vesperas-de-casar-20110315.html" target="_self">gente humilde</a>, no caso Bancoop, para a campanha ilegal de Lula. É a juventude que julga os inimigos, mas não os amigos, mesmo que o crime seja o mesmo.</p>
<p>Uma miséria moral lamentável, como poucas vezes vista na história do país.</p>
<p>Ainda creio no ressurgimento de uma juventude realmente crítica e independente no Brasil &#8212; igual àquela que lutou contra a ditadura. Posso estar me iludindo. Mas Orwell acha que estou certo. E ele está na praça há bem mais tempo que vocês, amigos céticos:</p>
<p><em><strong>&laquo;&nbsp;Political language &#8212; and with variations this is true of all political parties, from Conservatives to Anarchists &#8212; is designed to make lies sound truthful and murder respectable, and to give an appearance of solidity to pure wind. One cannot change this all in a moment, but one can at least change one&#8217;s own habits, and from time to time one can even, if one jeers loudly enough, send some worn-out and useless phrase &#8212; some jackboot, Achilles&#8217; heel, hotbed, melting pot, acid test, veritable inferno, or other lump of verbal refuse &#8212; into the dustbin, where it belongs.&nbsp;&raquo;</strong></em></p>
<p><strong><em><span style="font-style: normal; font-weight: normal;">Bom texto para uma época de unânimidade burra, não?</span></em></strong></p>
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		<title>O panda mau de JiJi: a nova Ásia entre a arte, o design e a moda</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 01:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Estive esta noite no Palais de Tokyo, o ótimo espaço de arte contemporânea do 16 arrondissement de Paris, e conferi a abertura da exposição Hi Panda, do artista plástico chinês JiJi. É, sem dúvida, a mostra de maior apelo popular do museu no momento &#8212; considerando que a outra relevante é a da fantástica alemã [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="lightbox" href="http://farm5.static.flickr.com/4010/4383782844_97e28ef669_o.jpg"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4010/4383782844_97e28ef669_o.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Estive esta noite no <a href="http://www.palaisdetokyo.com/" target="_blank">Palais de Tokyo</a>, o ótimo espaço de arte contemporânea do 16 arrondissement de Paris, e conferi a abertura da exposição <em>Hi Panda</em>, do artista plástico chinês JiJi. É, sem dúvida, a mostra de maior apelo popular do museu no momento &#8212; considerando que a outra relevante é a da fantástica alemã Charlotte Posenenske, com suas interessantes porém difíceis construções inspiradas em formas industriais do século 20 (ou &laquo;&nbsp;modernidade&nbsp;&raquo;, como preferem alguns).</p>
<p>No mezanino do Palais de Tokyo, JiJi apresenta o seu personagem Evil Panda, um urso politicamente incorreto que aparece em forma de telas e de esculturas. Nesta que é a primeira exposição de JiJi na França, o artista também introduz, ao lado de seu icônico panda, a ursa-noiva do personagem. Esse papo pode estar soando meio maluco, mas apenas se você nunca ouviu falar de Hello Kitty. Já ouviu, né? Pois é exatamente isso: o trabalho de JiJi, que agora ocupa um grande espaço do Palais de Tokyo com cerca de 20 obras, é herdeiro legítimo da tradicional iconografia asiática que nesta última década deu origem a personagens de estética pragmática, fortemente influenciados pelo design industrial. E da qual, sem dúvida, Hello Kitty é o maior símbolo.</p>
<p>JiJi nos mostra o seu panda nervoso em situações diversas &#8212; viajando à Lua, flertando com Andy Warhol e criticando Mao Tse Tung. O que transparece essencialmente é, no entanto, o narcisismo e a busca por  identidade caracaterísticos da jovem geração chinesa pós anos 80 &#8212; e que de certa forma  reflete toda juventude asiática atual.</p>
<p>JiJi nasceu em 1972 e estudou Design Industrial na Universidade de Shanghai. Bateu sua formação técnica num liquidificador de pop arte e criou uma grife de camisetas chamada Hi Panda, que se tornou fenômeno na Ásia. Mas, mais do que isso, deu à luz a este urso mal humorado e perturbador, cujos olhos parecem perguntar o tempo todo ao espectador: você me colocaria na parede da sua sala, na estampa da sua camiseta ou na lata de lixo do seu bairro?</p>
<p><strong>PS.: Quem estiver por aqui, corra porque a exposição fica por lá só até o dia primeiro &#8212; é isso mesmo, apenas uma semana.</strong></p>
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		<title>Vizinho da frente</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:44:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/4375122129/" title="Local cat by gabrielbrust, on Flickr"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4043/4375122129_65543565bc_o.jpg" alt="Local cat" /></a></p>
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		<title>Carnaval em Paris</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 18:53:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Quando me disseram que haveria um desfile de blocos de carnaval nas ruas de Paris, logo me veio à cabeça aquelas reuniões de imigrantes saudosos que querem celebrar o nosso Brasil profundo. Costumo fugir deles quase sempre. Mas o primeiro domingo ensolarado depois de uma sequência de muitos chuvosos &#8212; e de um sábado inteiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/sets/72157623447982488/" target="_blank"><img class="aligncenter" title="Carnaval Paris" src="http://farm3.static.flickr.com/2771/4362364433_5bc1e165af_b.jpg" alt="" /></a></p>
<p>Quando me disseram que haveria um desfile de blocos de carnaval nas ruas de Paris, logo me veio à cabeça aquelas reuniões de imigrantes saudosos que querem celebrar o nosso Brasil profundo. Costumo fugir deles quase sempre. Mas o primeiro domingo ensolarado depois de uma sequência de muitos chuvosos &#8212; e de um sábado inteiro de neve &#8212; me convenceu a descer a montanha da Sacro Coeur e ir conferir o evento. Foi uma grata surpresa (<a href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/sets/72157623447982488/" target="_blank">confira mais fotos no Flickr, aqui</a>).</p>
<p>O desfile partiu do 20eme arrondissement no início da tarde e rumou pelas ruas do 11eme até chegar ao Hotel de Ville, às margens do rio. Peguei o bonde mais ou menos andando, quando a coisa toda já passava por Belleville, e fiquei espantado diante da cena ao chegar lá: milhares de pessoas se aglomeravam na Rue Faubourg du Temple. Não sou bom em mensurar esse tipo de multidão assim só com o olho, mas eu diria que havia lá entre 5 mil e 10 mil pessoas. O que me levou à bizarra constatação de que o carnaval de rua parisiense é maior que o de Porto Alegre (corrijam-me nos comentários se eu estiver falando besteira). Outra surpresa foi constatar que, embora a inspiração seja o carnaval de rua brasileiro &#8212; com bandeiras do Brasil por todo lado, pessoas fantasiadas, blocos temáticos, pequenas baterias e muito, muito confete &#8211;, é pouco provável que a maioria fosse composta por brasileiros.</p>
<p>A festa popular parece já ter caído nas graças dos locais, e assistir a esses exemplos de hibridismo cultural em plena rua é uma experiência interessante. Ver um francês coordenando uma bateria de samba com olhar sério de preocupação é algo estranho. Mais curioso ainda é o olhar intrigado dos imigrantes árabes e asiáticos, no momento em que o cortejo passou por uma região cujo comércio é dominado por eles. Ao contrário dos franceses, parecem não conseguir compreender por que aquele bando de gente está jogando confete pra cima, batendo tambor e dançando. Mesmo claramente satisfeitos com a quantidade de cerveja vendida em seus mercadinhos, mantiveram o ar sizudo de sempre na hora de dar o troco.</p>
<p>Entre os foliões, muitos foram desistindo ao longo do caminho por causa do frio. Nada mais estranho do que  uma tarde inteira de desfile de carnaval sem sentir rolar uma gota de suor, pelo contrário, tendo que enrolar o pescoço e encolher as mãos para dentro do casaco mais e mais a cada esquina dobrada. A festa acabou em frente à prefeitura, já com a noite fechada e gelada. Algumas baterias insistiram em continuar batucando na praça do Hotel de Ville, mas, por aqui, o chavão &laquo;&nbsp;a festa não tem hora pra acabar&nbsp;&raquo; não funciona. Com -2 graus marcando nos termômetros, não há carnaval de rua que resista muito tempo.</p>
<p>(<a href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/sets/72157623447982488/" target="_blank">Confira as fotos no Flickr, aqui</a>).</p>
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		<title>Emily Loizeau</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 21:35:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Fui acordando aos poucos na manhã de domingo com a voz dessa garota vindo do som da sala. O apartamento estava vazio e achei estranho que alguém tivesse deixado o Ipod conectado e tocando. De toda forma, Emily Loizeau animou meu domingo e me levou a ir atrás de seus discos. Je ne Sais Pas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<td style="font-family: arial; font-size: 11px; color: black;" colspan="2"></td>
<tr>
<td style="align: center; border: solid 1px silver;" colspan="2"><a href="http://www.emilyloizeau.fr/" target="_blank"></a><img src="http://www.emilyloizeau.fr/media/images/gallery/emily8.jpg" alt="" /></td>
</tr>
<p>Fui acordando aos poucos na manhã de domingo com a voz dessa garota vindo do som da sala. O apartamento estava vazio e achei estranho que alguém tivesse deixado o Ipod conectado e tocando. De toda forma, Emily Loizeau animou meu domingo e me levou a ir atrás de seus discos. Je ne Sais Pas Choisir, a canção abaixo, é do primeiro, L&#8217;Autre Bout du Monde, de 2006, mas ela está com trabalho relativamente novo na praça, Pays Sauvage, do ano passado. Vale a pena ver as fotos do disco mais recente, como esta aí de cima. Dá para ver as outras que integram o ensaio <a href="http://www.emilyloizeau.fr/" target="_blank">no site oficial</a>.</p>
<p>Emily canta bem e é também uma ótima pianista. L&#8217;Autre Bout du Monde é um disco delicado e belo do início ao fim, com momentos bastante sofisticados e, ao mesmo tempo, pop, como o hit <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6szT69RbFo8" target="_blank">Je Suis Jalouse</a>. Emily consegue dar uma roupagem atual e alegre à chanson tradicional. E às manhãs de domingo também.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/b4-N4aAJxUw&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/b4-N4aAJxUw&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>PS.: Se você leu esse post cedo, sim, eu troquei a canção aí do youtube. Coloquei essa que no momento é a minha preferida.</p>
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		<title>So happy together&#8230;</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 01:31:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Melhor canção com melhor sitcom.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xvDaLWTLJVY&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/xvDaLWTLJVY&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Melhor canção com melhor sitcom.</p>
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		<title>Me manca Italia</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 00:10:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Meu último verão na Itália foi inesquecível, em boa parte, graças às memoráveis pastas servidas nessa mesa aí do vídeo, com janelas voltadas para o azul do Mar Adriático. Fico feliz de saber que, sete meses depois e em pleno e rigoroso inverno, sem caipirinha e praia lotada, a animação segue a mesma na mesa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/hNn2T3MdNhc&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/hNn2T3MdNhc&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Meu último verão na Itália foi inesquecível, em boa parte, graças às memoráveis pastas servidas nessa mesa aí do vídeo, com janelas voltadas para <a href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/3841298454/in/set-72157622097145914/" target="_blank">o azul do Mar Adriático</a>. Fico feliz de saber que, sete meses depois e em pleno e rigoroso inverno, sem caipirinha e praia lotada, a animação segue a mesma na mesa de jantar do grande Berlusconi de Pesaro. Vale conferir, além dessa pérola aí de cima, <a href="http://leandrodemori.com/2010/01/23/tiros-trapacas-e-laranjas-de-papel/" target="_blank">este bom artigo dele</a> sobre a máfia ‘Ndrangheta publicado na Zero Hora. E viva o Carnaval!</p>
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		<title>Ai, cinema, que preguiça</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 01:46:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como faz há algum tempo, a rede de cinemas UGC realizou, neste mês, o festival Les Incontournables, reprisando os principais filmes do ano em sessões a módicos 3 euros. Como passei este ano correndo sem parar para resolver uma nova vida inteira e, portanto, pouco fui ao cinema, aproveitei o festival para tirar algum atraso. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como faz há algum tempo, a rede de cinemas UGC realizou, neste mês, o festival Les Incontournables, reprisando os principais filmes do ano em sessões a módicos 3 euros. Como passei este ano correndo sem parar para resolver uma nova vida inteira e, portanto, pouco fui ao cinema, aproveitei o festival para tirar algum atraso. Meia dúzia de sessões depois, o saldo é aquela reflexão incômoda: ou 2009 foi um péssimo ano para o cinema, ou os meus problemas com a sétima arte estão ficando, de fato, cada vez mais incontornáveis.</p>
<p>Os filmes que alimentavam alguma expectativa, como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0870111/" target="_blank">Frost/Nixon, l&#8217;heure de vérité</a>, se revelaram apenas ok. Os que naturalmente prometiam ser ruins, como <a href="http://www.imdb.com/title/tt0361748/" target="_blank">Inglorious Bastards</a>, cumpriram a expectativa de forma exemplar: são bobagens sem tamanho, daquelas que dão vontade de enterrar o balde de pipoca na cabeça por saber que se está perdendo não só 3 euros, mas quase duas horas da sua vida.</p>
<p><a href="http://www.imdb.com/title/tt1022603/" target="_blank">500 Jours Ensemble</a>, a comédia romântica da moda, é outra grande perda de tempo. E, cá entre nós, não tem coisa mais cretina que essa onda de &laquo;&nbsp;filmes indie&nbsp;&raquo; (da qual <a href="http://www.imdb.com/title/tt0467406/" target="_blank">Juno</a> e <a href="http://www.imdb.com/title/tt0333766/" target="_blank">Garden State</a> já são clássicos). É o retrato da porcaria em que foi dar essa geração que cresceu choramingando fechada no quarto ouvindo Radiohead e Belle and Sebastian &#8212; sim, a minha geração. Infantis, ignorantes, fracos, depressivos e vegetarianos. Foi o que nos tornamos.</p>
<p>Em meio a todo o tédio do filme, no entanto, meu amigo Alessandro Minuscoli, jornalista e sociólogo, conseguiu fazer uma boa análise de alguns aspectos interessantes que, forçando a barra, dá para extrair do filme. Em algumas poucas linhas e tomando não mais do que uns 3 minutos do leitor, Alessandro consegue dizer mais do que a hora e meia de piadas sem graça do filme. Acho que essa constatação é uma boa pista para você, que está aí pensando &laquo;&nbsp;como esse cara não gosta do cinema recente?&nbsp;&raquo;, começar a me entender.</p>
<p>Aí vai um trecho do bom texto &laquo;&nbsp;<a href="http://noticiasdacorte.blogspot.com/2009/12/o-calvario-dos-homens-femininos.html" target="_blank">O calvário dos &#8216;homens femininos&#8217;</a>&laquo;&nbsp;:</p>
<p><strong>&laquo;&nbsp;Summer casou. A mesma que não acreditava no amor e queria relações casuais. Com  o homem do anel. Tom não compreende. Nessa seqüência, está evidente o brete no  qual se encontram os homens. Não é o homem sentimental, nem o amoroso, afetivo  (aquele pelo qual as mulheres bradaram durante tempos), mas sim aquele que dá um  presente que representa a segurança, o poder, a força. É a evidência, no mínimo,  de mudanças: 1 – as mulheres também podem fazer suas escolhas; 2 – essa  liberdade, saudável, não liberta de valores tradicionais (o presente caro  significa a entrega a um padrão de homem). A mudança é de configuração, menos  que revolucionária.&nbsp;&raquo;</strong></p>
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		<title>Chanti-y</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 15:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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Dando início a uma série de viagens curtas e baratas pelos arredores de Paris, no último domingo fui até a simpática cidade de Chantilly (clique na foto acima para ir ao Flickr ver as outras), ao norte da capital, distante cerca de 30 minutos de trem. Dá para ir de RER D, o trem metropolitano, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Voilá! by gabrielbrust, on Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/sets/72157623156814135/" target="_blank"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2696/4303930280_7af70c7023.jpg" alt="Voilá!" width="500" height="375" /></a></p>
<p>Dando início a uma série de viagens curtas e baratas pelos arredores de Paris, no último domingo fui até a simpática cidade de Chantilly (clique na foto acima para ir ao <a href="http://www.flickr.com/photos/52893948@N00/sets/72157623156814135/" target="_blank">Flickr</a> ver as outras), ao norte da capital, distante cerca de 30 minutos de trem. Dá para ir de RER D, o trem metropolitano, e você só paga a passagem, que custa 8,50, se estiver muito afim. (Como é comum nas estações de cidades do interior, a gare de Chantilly não tem roleta nem nenhum tipo de controle. É um sambarilove total).</p>
<p>Chantilly é pequena, mas cheia de história &#8212; a começar pelo célebre creme que o também célebre cozinheiro François Vatel (retratado no longa-metragem <a href="http://www.imdb.com/title/tt0190861/" target="_blank">Vatel</a>, de 2000) criou por lá. E não dá para esquecer que a pronúncia, em francês, vai sem o L. Vira Chanti-y &#8212; o que aprendi depois de ser corrigido pelos locais. Os dois grandes atrativos da cidade são o Museu do Cavalo (que vale pela bela construção que fica ao lado do hipódromo, mesmo que você não se interesse por cavalos como eu) e, obviamente, o famoso castelo de Chantilly &#8212; no Brasil mais conhecido como o &laquo;&nbsp;castelo da Cicarelli e do Ronaldo&nbsp;&raquo;.</p>
<p>E o château é, de fato, o grande destaque. Não sou de me empolgar muito com castelos e palácios &#8212; prefiro fazer o &laquo;&nbsp;turismo que senta num café&nbsp;&raquo;, que aprecia as nunces do cotidiano, não os monumentos, como já contei por aqui. Mas tive que dar o braço a torcer quando vi o Château de Chantilly: ele é belo, como muitos são, mas é belo não pela magnitude, pela ostentação, pela riqueza. Mas por um conjunto de coisas simples que fazem dele uma espécie de castelo em que qualquer um sente que poderia morar. Difícil um castelo parecer intimista, não é? Entre os elementos que compõem essa atmosfera está sem dúvida o bucolismo. O castelo é cercado por um lago cheio de patos &#8212; que sofrem nas águas congeladas desta época &#8212; e, na maior parte do tempo, o barulho dos patos é tudo o que se ouve por lá. Os turistas, em menor quantidade que no castelo de Versailles, por exemplo, não são ruidosos. No máximo, ouvem-se seus passos lentos arrastados sobre o chão de pedrinhas. Tudo colabora para uma sensação de paz. Ou seja, um bom programa para um domingo em que se quer escapar da cidade e desligar o cérebro.</p>
<p>Outro detalhe inusitado e que torna o castelo simpático é a obsessão de seus antigos e vários proprietários por cachorros. Tem estátuas e pinturas retratando cachorro por todos os lados, dentro e fora do castelo. Aparentemente porque essa é uma região de caça, tarefa para a qual os cães sempre foram bastante uteis ao homem.</p>
<p>O centro da cidade, bem próximo ao castelo (15 minutos de caminhada entre os dois), revela uma típica cidade do norte da França, com construções e jardins que lembram a Inglaterra. Como o dia estava chuvoso e frio, quase não havia pessoas pelas ruas. O que me leva a crer que essa sensação de paz verificada em Chantilly deve ser privilégio do inverno. Mas o inverno, como sempre, mais atrapalha do que ajuda. Ajuda a criar um clima romântico, com a cerração envolvendo o château, mas arruina qualquer tentativa de piquenique, como o que a gente pretendia fazer no gramado.</p>
<p>Ah, dentro do castelo também fica o Museu Condé, com um incrível acervo de obras de arte. Os aposentos do castelo só podem ser vistos nas visitas guiadas (somente em francês), que rolam três vezes ao dia. A entrada para o castelo e para o museu fica em 10 euros para estudante. Também é possível almoçar no restaurante do castelo, que leva o nome do grande Vatel, mas daí a conta é mais salgada.</p>
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		<title>O nomadismo, a vagabundagem e a errância vão nos libertar</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 01:21:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recebi ontem um cartão postal do casal 2backpacks. Vem direto da Rússia do Nepal e traz um hilário desabafo ao pé do ouvido feito pelo Felipe sobre o viajar enquanto ato provedor de tolerância em relação a outras culturas. Um tratado em poucas frases bem-humoradas, como é típico dele. Pois ao casal 2backpacks e a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi ontem um cartão postal do casal <a href="http://www.2backpacks.com/" target="_blank">2backpacks</a>. Vem direto <span style="text-decoration: line-through;">da Rússia</span> do Nepal e traz um hilário desabafo ao pé do ouvido feito pelo Felipe sobre o viajar enquanto ato provedor de tolerância em relação a outras culturas. Um tratado em poucas frases bem-humoradas, como é típico dele. Pois ao casal 2backpacks e a todos nós que buscamos um sentido na errância como filosofia de vida, segue aí um trecho de um livro que me acertou no fígado, hoje à tarde, enquanto errava por alguns cafés do Boulevard Saint-Michel:</p>
<p><strong>&laquo;&nbsp;A imobilização em uma função &#8212; quer se trate de uma função profissional, afetiva, ideológica &#8211;, longe de ser a marca de uma superioridade, de um progresso social ou individual, pode ser o sintoma de um fechamento, e, portanto, em um certo prazo, ter um efeito mortífero. A regulamentação da &laquo;&nbsp;circulação&nbsp;&raquo;, a boa gestão das disfunções ou dos acidentes que ela não deixa de induzir permanecem, de antiga memória, a preocupação essencial do poder. Com a modernidade, da qual o Big Brother de Orwell é uma boa ilustração, a uniformização e o controle atingem seu ponto culminante. O que se move escapa, por definição, à câmera sofisticada do pan-óptico. </strong><a href="http://books.google.com/books?id=RNJnTfsFL4YC&amp;dq=vagabundagens+p%C3%B3s-modernas&amp;source=bl&amp;ots=ueHOWpzOeu&amp;sig=OIxBHRxFM2VzFqA3uA9MKwQZzZo&amp;hl=pt-BR&amp;ei=BatXS9rKM8m24gb329i5Aw&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=7&amp;ved=0CB8Q6AEwBg" target="_blank"><strong>Desde então o ideal do poder é a imobilidade absoluta, da qual a morte é, com toda a segurança, o exemplo acabado</strong></a><strong>.&nbsp;&raquo;</strong></p>
<p>PS.: Se você não tem acompanhado a aventura do casal 2backpacks pelo mundo, comece URGENTE. Os textos estão cada vez melhores, <a href="http://www.2backpacks.com/em-portugues/free-tibet" target="_blank">como este</a>.</p>
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		<title>Charlotte, Charlotte&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 17:52:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gabriel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O disco mais recente chama IRM, tem uma bela canção com este belo video ao lado de Beck, e ela também está em cartaz nos cinemas com Persécution, de Patrice Chéreau. Mas nada disso consegue superar o clipe abaixo, da canção 5:55, do disco de mesmo nome, lançado em 2006.

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O disco mais recente chama IRM, tem uma bela canção com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=KP-nVpOLW88" target="_blank">este belo video</a> ao lado de Beck, e ela também está em cartaz nos cinemas com <a href="http://www.imdb.com/title/tt1303230/" target="_blank">Persécution</a>, de Patrice Chéreau. Mas nada disso consegue superar o clipe abaixo, da canção 5:55, do disco de mesmo nome, lançado em 2006.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fEEsdzgBrCA&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/fEEsdzgBrCA&amp;hl=fr_FR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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