O nomadismo, a vagabundagem e a errância vão nos libertar

Recebi ontem um cartão postal do casal 2backpacks. Vem direto da Rússia do Nepal e traz um hilário desabafo ao pé do ouvido feito pelo Felipe sobre o viajar enquanto ato provedor de tolerância em relação a outras culturas. Um tratado em poucas frases bem-humoradas, como é típico dele. Pois ao casal 2backpacks e a todos nós que buscamos um sentido na errância como filosofia de vida, segue aí um trecho de um livro que me acertou no fígado, hoje à tarde, enquanto errava por alguns cafés do Boulevard Saint-Michel:

« A imobilização em uma função — quer se trate de uma função profissional, afetiva, ideológica –, longe de ser a marca de uma superioridade, de um progresso social ou individual, pode ser o sintoma de um fechamento, e, portanto, em um certo prazo, ter um efeito mortífero. A regulamentação da « circulação », a boa gestão das disfunções ou dos acidentes que ela não deixa de induzir permanecem, de antiga memória, a preocupação essencial do poder. Com a modernidade, da qual o Big Brother de Orwell é uma boa ilustração, a uniformização e o controle atingem seu ponto culminante. O que se move escapa, por definição, à câmera sofisticada do pan-óptico. Desde então o ideal do poder é a imobilidade absoluta, da qual a morte é, com toda a segurança, o exemplo acabado. »

PS.: Se você não tem acompanhado a aventura do casal 2backpacks pelo mundo, comece URGENTE. Os textos estão cada vez melhores, como este.

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One Response to “O nomadismo, a vagabundagem e a errância vão nos libertar”

  1. Melissa Becker Says:

    Sobre o trecho de livro, só uma coisa a dizer: bah!

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