Chanti-y

Voilá!

Dando início a uma série de viagens curtas e baratas pelos arredores de Paris, no último domingo fui até a simpática cidade de Chantilly (clique na foto acima para ir ao Flickr ver as outras), ao norte da capital, distante cerca de 30 minutos de trem. Dá para ir de RER D, o trem metropolitano, e você só paga a passagem, que custa 8,50, se estiver muito afim. (Como é comum nas estações de cidades do interior, a gare de Chantilly não tem roleta nem nenhum tipo de controle. É um sambarilove total).

Chantilly é pequena, mas cheia de história — a começar pelo célebre creme que o também célebre cozinheiro François Vatel (retratado no longa-metragem Vatel, de 2000) criou por lá. E não dá para esquecer que a pronúncia, em francês, vai sem o L. Vira Chanti-y — o que aprendi depois de ser corrigido pelos locais. Os dois grandes atrativos da cidade são o Museu do Cavalo (que vale pela bela construção que fica ao lado do hipódromo, mesmo que você não se interesse por cavalos como eu) e, obviamente, o famoso castelo de Chantilly — no Brasil mais conhecido como o « castelo da Cicarelli e do Ronaldo ».

E o château é, de fato, o grande destaque. Não sou de me empolgar muito com castelos e palácios — prefiro fazer o « turismo que senta num café », que aprecia as nunces do cotidiano, não os monumentos, como já contei por aqui. Mas tive que dar o braço a torcer quando vi o Château de Chantilly: ele é belo, como muitos são, mas é belo não pela magnitude, pela ostentação, pela riqueza. Mas por um conjunto de coisas simples que fazem dele uma espécie de castelo em que qualquer um sente que poderia morar. Difícil um castelo parecer intimista, não é? Entre os elementos que compõem essa atmosfera está sem dúvida o bucolismo. O castelo é cercado por um lago cheio de patos — que sofrem nas águas congeladas desta época — e, na maior parte do tempo, o barulho dos patos é tudo o que se ouve por lá. Os turistas, em menor quantidade que no castelo de Versailles, por exemplo, não são ruidosos. No máximo, ouvem-se seus passos lentos arrastados sobre o chão de pedrinhas. Tudo colabora para uma sensação de paz. Ou seja, um bom programa para um domingo em que se quer escapar da cidade e desligar o cérebro.

Outro detalhe inusitado e que torna o castelo simpático é a obsessão de seus antigos e vários proprietários por cachorros. Tem estátuas e pinturas retratando cachorro por todos os lados, dentro e fora do castelo. Aparentemente porque essa é uma região de caça, tarefa para a qual os cães sempre foram bastante uteis ao homem.

O centro da cidade, bem próximo ao castelo (15 minutos de caminhada entre os dois), revela uma típica cidade do norte da França, com construções e jardins que lembram a Inglaterra. Como o dia estava chuvoso e frio, quase não havia pessoas pelas ruas. O que me leva a crer que essa sensação de paz verificada em Chantilly deve ser privilégio do inverno. Mas o inverno, como sempre, mais atrapalha do que ajuda. Ajuda a criar um clima romântico, com a cerração envolvendo o château, mas arruina qualquer tentativa de piquenique, como o que a gente pretendia fazer no gramado.

Ah, dentro do castelo também fica o Museu Condé, com um incrível acervo de obras de arte. Os aposentos do castelo só podem ser vistos nas visitas guiadas (somente em francês), que rolam três vezes ao dia. A entrada para o castelo e para o museu fica em 10 euros para estudante. Também é possível almoçar no restaurante do castelo, que leva o nome do grande Vatel, mas daí a conta é mais salgada.

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