Ai, cinema, que preguiça
Como faz há algum tempo, a rede de cinemas UGC realizou, neste mês, o festival Les Incontournables, reprisando os principais filmes do ano em sessões a módicos 3 euros. Como passei este ano correndo sem parar para resolver uma nova vida inteira e, portanto, pouco fui ao cinema, aproveitei o festival para tirar algum atraso. Meia dúzia de sessões depois, o saldo é aquela reflexão incômoda: ou 2009 foi um péssimo ano para o cinema, ou os meus problemas com a sétima arte estão ficando, de fato, cada vez mais incontornáveis.
Os filmes que alimentavam alguma expectativa, como Frost/Nixon, l’heure de vérité, se revelaram apenas ok. Os que naturalmente prometiam ser ruins, como Inglorious Bastards, cumpriram a expectativa de forma exemplar: são bobagens sem tamanho, daquelas que dão vontade de enterrar o balde de pipoca na cabeça por saber que se está perdendo não só 3 euros, mas quase duas horas da sua vida.
500 Jours Ensemble, a comédia romântica da moda, é outra grande perda de tempo. E, cá entre nós, não tem coisa mais cretina que essa onda de « filmes indie » (da qual Juno e Garden State já são clássicos). É o retrato da porcaria em que foi dar essa geração que cresceu choramingando fechada no quarto ouvindo Radiohead e Belle and Sebastian — sim, a minha geração. Infantis, ignorantes, fracos, depressivos e vegetarianos. Foi o que nos tornamos.
Em meio a todo o tédio do filme, no entanto, meu amigo Alessandro Minuscoli, jornalista e sociólogo, conseguiu fazer uma boa análise de alguns aspectos interessantes que, forçando a barra, dá para extrair do filme. Em algumas poucas linhas e tomando não mais do que uns 3 minutos do leitor, Alessandro consegue dizer mais do que a hora e meia de piadas sem graça do filme. Acho que essa constatação é uma boa pista para você, que está aí pensando « como esse cara não gosta do cinema recente? », começar a me entender.
Aí vai um trecho do bom texto « O calvário dos ‘homens femininos’« :
« Summer casou. A mesma que não acreditava no amor e queria relações casuais. Com o homem do anel. Tom não compreende. Nessa seqüência, está evidente o brete no qual se encontram os homens. Não é o homem sentimental, nem o amoroso, afetivo (aquele pelo qual as mulheres bradaram durante tempos), mas sim aquele que dá um presente que representa a segurança, o poder, a força. É a evidência, no mínimo, de mudanças: 1 – as mulheres também podem fazer suas escolhas; 2 – essa liberdade, saudável, não liberta de valores tradicionais (o presente caro significa a entrega a um padrão de homem). A mudança é de configuração, menos que revolucionária. »

février 10th, 2010 at 12:59
De 2009, o unico que eu realmente lembro é Revolutionary Road.