Velhas novidades
Lundi, septembre 28th, 2009Acho que a gente começa definitivamente a perceber o tempo passar quando as novidades que nos agradam são feitas por gente que já não é novidade há muito tempo. Estive sábado à noite no Elysée Montmartre para riscar mais um item da listinha das « 50 milhões de coisas a fazer antes de morrer »: assistir a um show do Vive la Fête, o grupo belga que eu uma vez chamei de francês na Zero Hora e quase fui trucidado pelos leitores (com razão). Embora a Bélgica seja uma espécie de Uruguai da França, é justamente por isso que belgas não devem nunca ser confundidos com franceses.
Pois eu tinha que ver ao menos uma vez o grupo que é considerado um dos pais do electrorock fazer ao vivo a festa que está ali no seu nome. A ensandecida vocalista Els Pynoo e sua banda já estavam, lá em 1997, esboçando esse estilo que viria a dominar as pistas de dança dos anos 2000, em Porto Alegre ou em Bruxelas. Merecem a fama que têm.
A noite de sábado não era uma qualquer: era uma noite temática belga, com DJs belgas e outras bandas do país vizinho. Mas todos estavam ali para o lançamento do novo disco do Vive, Disque D’Or, o sexto trabalho do grupo — sem contar uma coletânea bacana chamada 10 Ans de Fête, que eu fui descobrir só lá no show mesmo, na banquinha que vendia os discos do grupo. E essa banquinha num canto — tradicional em show de bandas iniciantes — resume bem a sensação que eu tive lá no Elysée, aos pés da montanha da Sacré Coeur: um dos grupos mais importantes para toda uma cena musical está vivendo dias de banda independente. A repercussão do disco novo não é grande, e o show de sábado esteve longe de ter casa lotada.
O ânimo da dupla Danny Mommens e Els Pynoo — acompanhados por uma banda — não foi menor por causa disso. Els rouba a cena o show todo, legando ao restante do grupo a condição de completo coadjuvante. Vestida ao estilo Madonna trash, ela não para um segundo no palco e canta muito. Com seu estilo desengonçado e roupas horrendas, tenta tanto não ser sexy que acaba conseguindo ser. Público enlouquecido do início ao fim, num show impecável.
Mas voltando ao início do post: sim, essa foi uma semana de velhas novidades. Além do Vive la Fête ao vivo com seu novo disco, o também novo rebento da banda britânica Muse está por aí, soando não apenas nos meus fones de ouvido, como os belgas, mas também nas rádios. É com grande divulgação que The Resistence está sendo lançado. Embora seja filho desta década, o Muse carregará para sempre o estigma de filhote do britpop ou « a banda que os fãs do Radiohead ouvem para se consolar ».
Vive la Fête e Muse, duas grandes bandas, com duas ótimas contribuições para o meu museu de grandes novidades. Confere aí as minhas duas canções preferidas nos dois discos:





