
Confesso, meu espirito estava temerario quando embarcamos no avião da Turkish Airlines em Alepo, norte da Siria, rumo ao Uzbequistão. Depois de uma intoxicação alimentar, o cansaço e o desconforto da espera no aeroporto me deixaram pessimista quanto ao nosso proximo destino.
O avião aterrisa em Tashkent, capital da ex-republica soviética uzbeque, às duas da manhã, num grande aerporto vazio se não fosse três aviões da companhia nacional do Uzbequistão. Uma grande burocracia nos aguarda na passagem da aduana, onde todo dinheiro precisa ser contado e objetos de valor listados. Um taxi custando o absurdo de dez dolares nos leva ao hotel.
Primeira surpresa: o lugar é uma grande mansão inspirado no periodo tsarista russo. A maioria das pessoas nos falam em russo. Uma temperatura agradavel e uma boa noite de sono para recuperar o ânimo e restabelecer o corpo.
No dia seguinte, no caminho para o albergue indicado no guia de viagem, descobrimos uma cidade limpa, com bastante verde, onde pessoas agradaveis e risonhas se esforçam para nos indicar a direção. Avenidas largas – herança do periodo soviético – e um metrô com estações decoradas à moda de Moscou. E mulheres! Jovens e velhas, nas ruas, sem véu na cabeça, de saia e minissaia. Depois de três semanas no Oriente-Médio, rever mulheres, que caminham como à Paris ou Porto Alegre, me pareceu estranho. Aqui, mesmo sendo um pais de maioria muçulmana, o Ramadã não tem força.
Karimov, presidente uzbeque desde o fim da União Soviética, quer apresentar o Uzbequistão como um pais moderno e pronto a se integrar a comunidade internacional. Nessa logica, Tashkent, é o seu cartão de visitas: a parte nova (russo-soviética) da cidade é cheia de monumentos, parques e muitos chafarizes. A parte velha (uzbeque), um pouco caotica, com seu grande mercado de produtores, seus minaretes e grandes mesquitas e madrassas. Mesmo a parte velha da cidade é acessivel pelo metrô e suficientemente organizada para o turista independente.

Três dias em Tashkent nos deixaram menos medrosos na hora das refeições e nos permitiram caminhaas agradaveis com temperaturas de começo de outono. Num desses passeios, visitamos o Museu de Historia do Povo Uzbeque: um enorme edificio da época comunista contando a historia dessa republica da Asia Central da pré-historia aos dias atuais. Um andar é praticamente inteiramente dedicado a Tamerlan – Emir Timur – o lider
mongol que fez de Samarcande – outra cidade uzbeque – sua capital e tornou-se o grande heroi do pais… depois do fim do comunismo. O ultimo andar mostra as grandes realizações do governo Karimov: desde os titulos do time de Rivaldo e Luis Felipe Scolari à introdução do cartão de crédito na economia do pais. Uma espécie de ufanismo à la anos 70 misturado a um gosto estético duvidoso. Vale a pena visitar.
Deixando de lado o personalismo presidencial, o pais se torna, cada vez mais, uma destinação turistica procurada pelos turistas europeus – especialmente franceses – sedentos de exotismo… ma non troppo. Tashkent, se torna uma boa entrada, deixando boas impressões, apesar de ficar atras das três grandes atrações turisticas do pais: Samarcande, Bucara e Khiva.
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Aproveita que tu tá aí e pergunta pro Felipão quando ele vai voltar pro Grêmio???
ótimo post. mas essa tua foto me lembrou essa outra: http://www.editorialnews.com.br/blogFerrariJr/arquivo/2008/01_2008/20a23_01_2008_arquivos/image010.jpg