Incredibly (annoying) India!
Dimanche, 31st janvier 2010 at 12 h 03 min

Incredible India é o carro-chefe da publicidade governamental indiana para o turismo. Em toda a Asia é possivel ver o filme onde um jovem ocidental percorre o pais imerso em cores e paisagens fabulosas. A idéia de incredible casa com o que a maioria dos indianos – ligados de alguma maneira ao turismo – pensa a respeito do seu pais: « Everything is possible in India! », significando que não importa onde, nem como, você quiser ir, você encontrara o que procura porque tudo é possivel neste pais.

Talvez, em uma longa estada, pode-se encontrar tudo o que se procura e « entrar no ritmo indiano ». Pelo menos, é essa a impressão que a maioria dos mochileiros, que cruzamos por la, da: que o pais é magico e suas gentes extremamente gentis. Pena, nossa estada não foi longa o bastante. A impressão deixada pelos indianos é longe daquela que nos foi pintada. Claro, exceções existem.

Vou ilustrar com o relato – rapido – dos nossos dois primeiros dias in India.

O vôo da Nepal Airlines foi forçado a fazer meia-volta, na metade do percurso, por causa de uma porta que estava « mal fechada ». Quatro horas mais tarde, embarcamos novamente no aeroporto de Kathmandu rumo a Delhi. Seis horas depois do previsto, chegamos ao aeroporto Indira Gandhi.

01.Retirei alguns rupies e me dirigi ao guichê dos taxis pré-pagos. OS GUIAS DE VIAGEM ALERTAM PARA O FATO DE SER IMPOSSIVEL DE PAGAR UM PRECO HONESTO DIRETAMENTE COM A TAXISTA. Duzentos rupies por uma corrida até o hub de hotéis baratos no centro de New Delhi. Sem prestar muita atenção passo uma nota de 500 (eu tinha acabado de retirar o dinheiro e não estava acostumado com as cores do Gandhi das notas) e espero o troco. O indiano na minha frente me mostra um bilhete de 100. Com bastante naturalidade me diz que eu me confundi. A fila atras de mim faz pressão e não querendo recontar meu dinheiro na frente de todo mundo, passo-lhe uma outra nota de 100. Sensação palpavel  do golpe. No taxi, conto meu dinheiro e voilà: 400 rupies (20 reais) no bolso do camarada.

02. Hotel Vivek, na Main Bazaar Road, New Delhi. No forum francês de mochileiros, todos falavam mil maravilhas desse hotel. Limpo, otimos serviços, staff de confiança e… barato. Reservamos por email. Chegando la, nao havia mais quartos a 800 rupies disponiveis. Segundo o gerente, nossa reserva era para uma suite deluxe de 1.100 rupies. Ok, ja são quase dez horas da noite. O quarto sem janelas era – segundo o rapaz responsavel – o unico do andar onde a agua quente não funcionava. But don’t forget: everything is possible in India. E um baldão de agua quente com uma concha nos foi trazido pelo indiano do corredor. O cara chega cansadaço, chegamos ao aeroporto de Kathmandu às sete da manhã e no hotel em Delhi às dez da noite, com um bigodão pra impor respeito e em menos de três horas no pais, se faz engrupir duas vezes! Incredible India.

03. Dia para turismo light e logo de cara, um chauffer de tuk-tuk. « Não, eu não preciso de um tuk-tuk para todo o dia, so quero ir até o museu. » « So para ida, não precisa esperar, não vamos voltar aqui. » « Pouco me importa se tu faz um special price! Eu so quero ir até a porra do museu! ». Ok. 400 rupies… barganha, barganha, faz que vai embora, volta, barganha, barganha, familia, krishna, sou pobre, preciso de trabalho, barganha e por 120 rupies o cara nos leva até o museu. Uma vez la, a ladainha recomeça. « Não, eu vou me enterrar nesse museu e nunca mais sair daqui, não vou mais precisar de transporte – muito menos de tuk-tuk – pelo resto da minha vida! » Ok. E ele lança: « Se pegarem um tuk-tuk pra voltar, não paguem mais do que 60 rupies, ok? » India 3 à 0.

04. Passeio em Connaugh Place. Uma praça no centro de New Delhi, domingão, bastante gente nos bazares que circulam o lugar. E um indiano se aproxima na hora da revista de bolsas para entrar no parque. « Pode entrar coma tua maquina, so não pode tirar fotos », diz ele, quando a policial nos fazia sinal de que não poderiamos entrar com a câmera. Ele tava la pra fazer tempo antes da sua sessão de cinema. Trabalhava num banco não longe dali e esperava alguns amigos. Um cara simpatico que fazia piadas da vida na India. « Vocês se importam se eu esperar meu amigo aqui com vocês? » « Yeah sure » O anzol do TOUT acabava de fisgar um peixe de bigode.

CONTINUACÃO

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