Free Tibet
Mardi, 19th janvier 2010 at 5 h 40 min

Nas ruas do bairro de Thamel, em Katmandu, no Nepal, as camisetas com a inscrição FREE TIBET povoam os bazares dedicados aos turistas. Recém chegado de la – do Tibete -, correr para comprar uma ou começar uma associação em prol da « causa » tibetana não foram meus primeiros impulsos, pelo contrario. Pensar a situação politica do Tibete sem cair no trendy de dizer que os chineses oprimem o povo tibetano que merece ser livre – e tirar uma foto ao lado do Dalai Lama -, ou no saudosismo de comunistão se posicionando em defesa da liberação maoista é complicado. Se no final não adiro ao primeiro time, é pelo mesmo motivo que não compro uma camiseta  dizendo Grêmio Campeão Mundial Interclubes 2011: infelizmente, não vai acontecer. Nem mesmo o Dalai-Lama acredita na possibilidade de  independência do seu ex-reino. Em suas demandas ao governo chinês, o lider budista deixa claro que sua ambição não é a independência de fato, mas uma maior autonomia e o respeito e preservação da lingua e da religião.

Historicamente, o Tibete não é independente desde a metade do século XVIII. Ok, durante a Republica da China (1912-1949), o pais era quase independente: o governo chinês mantinha representantes em Lhassa ao mesmo tempo. Resumão, desde do século XIII o Tibete so foi independente – em diferentes graus e com diferentes fronteiras – durante a dinastia Ming.

Agora, a questão é outra: podemos apoiar a constituição de uma teocracia? Porque é bem isso que o Tibete foi e que gostaria de se tornar novamente. Um governo controlado pela reencarnação de uma santidade onde toda a sociedade é focada na salvação de suas almas presas no ciclo de existências. Uma sociedade preocupada tanto com o que vai se passar depois que esquece o que se passa agora. O Tibete autêntico (run tourists run) é um agrupamento de pequenos vilarejos saidos da idade média, onde um monastério ocupa o centro do poder. Uma sociedade feudal.

Eh dificil de defender a independência desse tipo de organização politica e social. A comparação pode ser descabida mas o retorno tribal pregado pelos pashtuns no Afeganistão não difere em natureza desse retorno a uma sociedade religiosa e fechada. Isso mesmo, é moeda corrente falar da dificuldade de ir ao Tibete por causa do policiamento chinês. Ora, em 1850, o Dalai Lama da época proibiu a entrada de todo estrangeiro no pais e essa politica foi – mais ou menos – implementada até a invasão chinesa de 1950.

Não adiro tão pouco ao lado chinês. Em 1950, o Tibete trocou o controle pela religião budista pela religião maoista. Toda as bobagens de « liberação do povo » não são que uma transposição da distante salvação budista do pos-vida para o agora-mesmo. E « salvar » alguém implica todas as ascepções totalizantes que estamos acostumados a ver quando os « grandes homens » decidem o que é o bem de todos.

O que eu defendo? O que sobra na balança: livre-arbitrio, auto-gerência, etc, etc, etc. Se os tibetanos não são felizes sob o jugo chinês, então eles deveriam poder se autodeterminar. Porém se autodeterminar não pode  se transformar em ser determinado por uma santidade toda-poderosa. O lamaismo (budismo tibetano), como todas as religiões hierarquizadas e centradas em um chefe, deveria focar seu business nas questões espirituais e privadas de cada um. A mistura de religião com Estado e politica é perigosa e no Tibete não é diferente, basta ver as condições de vida. Em grosso modo, nem o lamaismo, nem o maoismo! Um Tibete livre como uma nação moderna onde a religião e a cultura se preservam como bens inerentes da população mas não como condição indispensavel de vida.

Ok. Vou comprar a camiseta do Grêmio Campeão Mundial 2011. Eh mais provavel de acontecer.

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3 Responses to “Free Tibet

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