Continuação – Incredibly (annoying) India!
Mardi, 2nd février 2010 at 12 h 54 min

Leia a PRIMEIRA PARTE

Continuação. As pessoas com as quais cruzamos antes de chegar na India nos preveniram da personalidade torpe desses « profissionais » do turismo. Nos guias e foruns de viagem varias de suas « artimanhas » são explicadas em detalhe. Eu os tinha lido, todos. O tipo, agradavel, nos primeiros vinte minutos, não falou nada sobre agência de viagem, pacote ou tour, fui eu quem começou a falar de nossa intenção de fazer uma viagem de duas semanas ao Rajastão, a região dos marajas indianos. Ele parecia não estar muito interessado nisso, repetia apenas o quão é complicado conseguir comprar uma passagem de trem na India. Dizia que os bilhetes eram TODOS vendidos com o minimo de uma semana de antecedência. Falei que o melhor seria ir até uma estação de trem e tentar logo comprar nossas passagens. Ele me disse que no domingo, o guichê para turistas ESTAVA FECHADO. Sorry, Lonely Planet, tu tinha dito varias vezes que o golpe começava por la.
Minha primeira suspeição foi quando o indiano me disse que sua sessão de cinema era às sete da noite: eram apenas duas e meia da tarde quando nos encontramos. Cedo demais pra « fazer tempo ». Bom, ele continuou dizendo que a melhor maneira de comprar um bilhete de trem na India era através do escritorio da « Indian Railways » não longe dali. OK. O lugar, uma agência de viagens normal, cheia de indianos dodgy, não era nada do que eu imaginava. Nosso amigo « preferiu » não entrar. O indiano que nos recebeu, me mostrou recibos de venda de pacotes de viagem para outros brasileiros e queria nos embarcar num tour com taxi privado de mais de 1,5 mil euros. Depois de explicar que queriamos viajar de trem, que na verdade queriamos APENAS comprar uma passagem pra Agra, ele nos ofereceu um pacote de 80 euros por dia incluindo trem, hotel e transfers. « No, thanks ».
Depois dessa ida ao « escritorio da Indian Railways », o indiano não parava mais de repetir como seria complicado viajar independente com apenas 15 dias para fazer cinco cidades. Olhando a cena em perspectiva, estava clara a sua insistência em nos vender um pacote de uma das agências que lhe pagaria sua comissão. No momento, nos fomos os três tomar um café. Sua presença começava a me incomodar porque ele não falava de outro assunto que nossa viagem. Terminamos indo ao « bureau oficial da Indian Railways », o mesmo onde ele comprava suas passagens quando partia em férias. O lugar era exatamente igual ao primeiro. Dessa vez, ele entrou conosco e fez coro com o vendedor para nos convencer da impossibilidade de viajar por nossos proprios meios. O viagista nos ofereceu um pacote em classe SLEEPER – uma das piores -, em albergues da juventude, por 42 euros por dia. QUASE CAIMOS. Mas no final, agradecemos e saimos. Nesse momento – seis e meia da tarde – nosso « brother » disse que se não comprassemos esse pacote acabariamos pagando o dobro mais tarde e atravessou a rua sem se despedir. Incredible India 3 à 1.

05. Mais tarde, partimos diretamente a estação de trem de New Delhi, distante dez minutos de nosso hotel. A noite começava a cair e passando pelo estacionamento de tuk-tuks um homem nos assedia para saber onde vamos, o que queremos. Bureau de Turistas. A direita, diz o indiano. Ao chegar nas escadarias à direita da estação, um funcioario nos pergunta o que procuramos e explica que o bureau de turistas estava fechado por causa das obras do mêtro. Sorry again, Lonely Planet, tu tinha me prevenido dessa ai também. Ele mostra seu cracha para provar que trabalhava para a Northern India Railways e nos diz que pode nos ajudar. Ele pega o meu guia de viagem e mostra o centro de reservas de passagens da Indian Railways (estava la, no guia) perto da praça onde passamos a tarde com o tout. Eu lhe disse que estava tarde e que iriamos amanhã. Ele diz, « não esquenta, eu consigo um tuk-tuk barato pra levar vocês la ». E de uma hora pra outra, o tuk-tuk que durante todo o dia nos tinha custado pelo menos 80 rupies, agora, custava apenas 30. Qual foi minha surpresa quando o cara da estação diz « make it cheaper » e o indiano do tuk-tuk baixa o preço pra dez roupies. Ao sairmos da estação dois caras entram no minusculo tuk-tuk com a gente, um ao lado do motorista e outro ao nosso lado. Farejo o golpe e digo que esqueci meu passaporte no hotel. Eles insistem em passar por nosso hotel. Eu digo seco: Stop it. I changed my mind. Gotta go! No final, voltamos ao hotel abatidos por não ter conseguido comprar nossos bilhetes, mas contentes de não ter caido no golpe. Um gol pra cada lado. Incredible India 4 à 2.

06. No dia seguinte, o recepcionista do hotel nos explica que o bureau de turistas esta em funcionamento – como disse o Lonely Planet – e que poderia comprar a passagem pra nos com uma comissão de apenas 20 roupies. Olhamos no computador, escolhemos o trem e o horario. Mas o indiano não podia ir na hora porque esperava alguém para substitui-lo. Depois de quarenta minutos de espera, resolvemos ir nos mesmos. Cara fechada, bigode crispado, marchamos rapido e direto à entrada principal da estação. Não parariamos por ninguém, nem por nada. Preveni à Amandine de não responder à ninguém. Eu, respondia, grosseiramente. Entramos na estação e facilmente encontramos o escritorio para turistas aberto no segundo andar. Ambiente climatizado com funcionarios sorridentes e agradaveis. Problema, o trem escolhido pela gente partiria às duas da tarde, e como eram dez e meia da manhã não poderiamos mais comprar o bilhete ali (limite de venda até quatro horas antes da partida). Descemos em direção ao guichê aberto à todos. Naquele trem, quase lotado, apenas a famigerada Second Class. Mas um trem, partindo em 25 minutos para Agra, ainda tinha bilhetes em vagão 2AC – o segundo melhor. Compramos. Corremos até o hotel para pegar as mochilas e às 11 horas da manhã estavamos bem instalados no trem para o Taj Mahal. Pagando 12 euros no total. Mandei a merda pelo menos cinco indianos e conseguimos o trem. 4 à 4.

Depois dessa, estavamos escaldados. E POSSIVEL VIAJAR INDEPENDENTE E DE TREM NA INDIA. Fizemos nosso tour do Rajastão de trem comprando as passagens nas estações diretamente, utilizando tuk-tuks pré-pagos e escapamos – agora, com facilidade – de quatro ou cinco touts por dia.

No final, nosso tour custou em média 22 euros por dia, incluindo trem – em classes AC – e hotéis confortaveis (incluindo um maravilhoso, em Udaipur). Ganhamos o jogo!

Antes de pegar o vôo para Bangkok, mais ambientado ao indian way of life, pensava nas estratégias dos touts e como suas praticas são nocivas, em longo prazo, ao turismo. Os touts estão matando a sua propria vaca leiteira (piadinha). Nessa época pensava em criar um site: BOYCOTT INDIA. OR ME, OR THE TOUTS. Hoje mudei de idéia. Tudo isso faz parte da Incredible Incredibly annoying India.

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