
No dia em que partimos de Bucara, não pensavamos em ir até Khiva. Nosso intuito era pegar um shared taxi até Urgench, de onde partiria nosso voo, no dia seguinte, para Moscou. Três horas de espera para completar o taxi e cinco horas de estrada pela frente. No caminho, campos de algodão em colheita se estendem dos dois lados da estrada. Mulheres curvadas recolhem os maços brancos e os colocam em pequenos montes no meio da plantação. Na medida que as horas passam, a estrada se torna mais e mais estreita e a plantação comeca a ceder espaço na paisagem. Musica uzbeque a todo volume, três pessoas que fumam dentro do carro e uma mulher que insiste em rir de maneira estridente. Minha vontade é de chegar a Urgench o mais rapido possivel.
Eis que o deserto faz sua aparição majestosa, tomando a pista quase inteiramente. Dunas de areia se estendendo por longos quilômetros até onde um dia ficavam as praias do Mar de Aral. A sensação de adentrar um longinquo recanto dessa região do mundo transforma o desconforto do carro superlotado em sacrificio de viajante, de explorador. Nessas horas, quando temos a impressão de sermos os unicos seres humanos por quilômetros a fio, sinto-me como se fosse um pioneiro, um descobridor.
O que descubro no fim da linha é uma cidade sem graca, Urgench. Limpa, grande, espacosa… sem nada para repousar o olhar. Aconselhados pelo gerente do hotel onde contavamos pernoitar, pegamos um taxi até a cidade vizinha de Khiva. A cidade, que haviamos deixado de fora de nosso roteiro por causa da distância e do tempo exiguo, nos proporciona um belo « ultimo dia » no Uzbequistão.
No ultimo post, falei que as cidades que nos trouxeram ao Uzbequistão foram Samarcande e Bucara. Porém, as cidades que nos deixaram as melhores impressões foram Tashkent e Khiva. A ultima é um oasis no meio do deserto com seus muros altos cor de areia, cercando uma citadela repleta de ruelas que levam a descobrir pequenos universos escondidos. Uma grata surpresa, imprevista. Um pequeno espaco parecendo um mosaico onde todo o imaginario da Asia Central se faz sentir: artesãos da madeira, mulheres tecendo tapetes de seda, camelos, minaretes e cupulas azuis. Talvez por regrupar tudo isso numa localizacao inospita, Khiva é um must see da maior parte de pacotes turisticos. Viajando por conta propria, quase deixamos escapar essa ultima parada na Asia Central.
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Felipão, saíndo fora do roteiro??? Agora me preocupei, espero que a Amandine possa lhe dar uma força, já que desta vez não tem Berguinho e Ronaldinho para os momentos críticos. haha!! Abraço.