Barro úmido
“Eu lembro bem das cores. Mas a arte você expressa pelas mãos ao colocar o que sente. Olha, fiz uns azulejos com a palavra ’silêncio’. Depois, me arrependi. Ficou muito grande, sabe? Deveria ter escrito ‘psiu’. É mais curto e pouparia argila”.
Instrutor de telemarketing, cego desde os 9 anos, aluno na oficina (para deficientes visuais) Cerâmica: Uma Aproximação, curso de extensão que é realizado no Instituto de Artes da UFRGS.
Adverso – DEZ/2009
Meu vizinho tem uma bola quadrada
<!– @page { size: 8.5in 11in; margin: 0.79in } P { margin-bottom: 0.08in } Pronto. Começou aqui em casa a incontestável bola quadrada do meu vizinho. Todo dia é a mesma rotina – que adoro, confesso. A bola bate na porta, derruba os sininhos orientais pendurados na maçaneta dourada e produz uma das vibrações cósmicas mais poderosas que a Humanidade pode conceber. O desejo de transmitir ao ser a mais bela carga emocional e gerativa da vida. Se fosse místico, veria ondas de cores indefinidas flutuando pela sala. E o piá chora. Chora. O chamarei de Rajan, porque ainda é calvo. Rajan tem nem dois anos e berra como se estivesse nas arquibancadas do Monumental.
