Running in the rain – I
Merda. Chovia pra cacete à beira do Titicaca. Debaixo do pequeno toldo, só conseguiámos salvar a careca da água gelada que desabava do céu no altiplano andino. Noite escura e fria de um verão boliviano. Não havia cusco que arriscava colocar o focinho pra fora de casa.
- Tchê, faz a mão. Bosta de chuva.
Maximilian acendia o charuto dominicano, enquanto Joãozinho grunia de frio abraçado em si mesmo e Philip saltava com uma caixa de fósforo na mão. “Puta-que-pariu”. Áquela altura, os pingos frequentes mostravam que o toldo não era tão seguro quanto parecia.
Na rua de chão batido, bem perto da praça central em Copacabana, a luz platinada do poste solito entre tantos com lâmpadas queimadas, obrigou a parada. Estávamos a meio caminho da bodega de um tal alemão. Anita, Cecel e uns compañeros argentinos e israelenses nos esperavam lá. “Já estão todos bêbados, charlando e nós aqui”.
Maximilian, foguinho desgraçado, que havia dançado a tarde toda em homenagem a La Virgen de Copacabana, decidiu que merecia se presentear com um charuto dominicano. Queria celebrar as três semanas de estrada, o cansaço da procissão que parecia sem fim, a energia das Islas del Sol e de La Luna, as asxilas peludas de uma chica pela qual estava apaixonado. Foi quando encontrou o colombiano. E o charuto dominicano.
