Think Different. It’s not a Mac.
Desejo de despejar o que vem a cabeça enquanto se ouve música. Vejo uma foto de parte dos 90 canais de A, enquanto escuto uma canção que diz que estamos aqui de passagem. Tchê… Estou sentando no sofá preto do apê. É quase uma da madrugada e não consigo dormir. Pego o computador que guardei na mochila durante a tarde. Está quase sem bateria. Até há pouco arriscava umas notas no contra-baixo. Droga. Fazia uns três meses que não tocava. Achei que estivesse enferrujado, mas saiu um som razoável. É o que ela sempre me diz. Recebo impulsos e concluo tendo impressões. Normal. Pinta aquele desejo de descobrir, encontrar e voltar a procurar o que seja, que mais parece uma angústia que não se explica. Certo de que se atirar uma pedra descubro milhares que analisam a existência inspiradora, que sacia e estimula ao mesmo tempo mais, mais, mais! Pura criação mental e articulação espiritual. Sempre inquieto parece ser lema da minha espécie quase maternal. É uma espécie dependente não-química do desvendar. Ei, não é pra fazer sentido algum, apenas pra mim. É madrugada. E nessas horas, o ar consegue ficar mais gelado do que no resto do inverno. Bosta de visão eurocentrista!!!
“…Ainda que o gole me custe a vida”
“Eu só quero beber a vida num gole só. Ainda que o gole me custe a vida.”
Som Nosso de Cada Dia (SNCD)
Esta impulsividade que me consome todo dia de manhã. Acordo revoltado com o que não está pronto. E o que é pior: qualquer pensamento que projeta algo melhor e me alegra consegue me deixar mais louco! Só pode ser um resquício masoquista guardado sei lá onde. Devo me acostumar com o ser cotidiano. Ninguém consegue manter um estado de graça, em que a inspiração brota toda hora e em qualquer canto. “Eu não consigo ser feliz o tempo inteiro”, manda Wander. Ficamos cegos procurando o que não se pode procurar. A inspiração é um sopro de alegria no peso cotidiano que resolve aparecer na estação quando bem entende. Não vem toda hora e pronto! Quando vou entender que a vida é assim?! E é melhor assim. Estamos envoltos parcialmente em trevas pra ter o gosto da salvação. Bingo.
Os 25 centavos do Abraão
Uma moeda de 25 centavos americanos na pequena estrada que leva a Vila do Abraão, em Ilha grande (RJ). Costa magnífica com a moldura do Pico do Papagaio no esplendor dos seus mil metros e a floresta altântica, magníficos. A costa, ao longe, como um ponto distante e, se pudesse escolher, nunca alcançável. Entre as ruelas da pequena vila pesqueira, hoje, turística, ser brasileiro é integrar a minoria. O inglês é língua oficial no verão quer nosso, quer do Hemisfério Norte. Alemães, argentinos, australianos, americanos, canadenses, holandeses. É um caldeirão cultural aquela vila. O inglês e o castelhano são idiomas oficiais ao lado do português. Estão todos lá e nossa identidade coletiva são as sandálias havaianas coloridas. A moeda que encontrei é uma entre centenas que devem estar espalhadas por lá. Daqui há algumas centenas de anos, algum doido vai encontrar meia dúzia e achar que é tesouro deixado pelos conquistadores ianques. Talvez, até lá, o euro seja mais frequente e as moedas não sejam de coloração monocromática como é o dólar. Guardei aquele quarter com carinho. Acho que me dá sorte desde aquele dia. Sou humano, ora, tenho fraquezas e estou no direito de me apegar a pequenas coisas. Gosto de pensar que os 25 cents irão me trazer riqueza. Não importa se espiritual ou financeira. Que tragam alguma coisa. Só um último comentário tosco: há culturas que se atiram em viagens com muito mais desprendimento do que a brasileira. A Ilha Grande – e a moeda americana – são exemplos de que as comunidades internacionais podem coexistir. Há diferenças, sim, e são profundas. Vale uma nota no passar dos dias, nessa relativa existência. Agora, lembrem que o paraíso não fica tão longe assim como o Cristianismo nos vende. Se Deus existe, e voto por isso, o Bem não fica no além. Ou, se fica, ele tem pequenos oásis neste mundo. É nosso olhar que precisa ser adequado e ajustado pra compreender o mundo como o espaço das diferenças e, consequentemente, da beleza. É o próprio Homem quem transforma a existência no seu calvário a caminho do inferno.
Running in the rain – I
Merda. Chovia pra cacete à beira do Titicaca. Debaixo do pequeno toldo, só conseguiámos salvar a careca da água gelada que desabava do céu no altiplano andino. Noite escura e fria de um verão boliviano. Não havia cusco que arriscava colocar o focinho pra fora de casa.
- Tchê, faz a mão. Bosta de chuva.
Maximilian acendia o charuto dominicano, enquanto Joãozinho grunia de frio abraçado em si mesmo e Philip saltava com uma caixa de fósforo na mão. “Puta-que-pariu”. Áquela altura, os pingos frequentes mostravam que o toldo não era tão seguro quanto parecia.
Na rua de chão batido, bem perto da praça central em Copacabana, a luz platinada do poste solito entre tantos com lâmpadas queimadas, obrigou a parada. Estávamos a meio caminho da bodega de um tal alemão. Anita, Cecel e uns compañeros argentinos e israelenses nos esperavam lá. “Já estão todos bêbados, charlando e nós aqui”.
Maximilian, foguinho desgraçado, que havia dançado a tarde toda em homenagem a La Virgen de Copacabana, decidiu que merecia se presentear com um charuto dominicano. Queria celebrar as três semanas de estrada, o cansaço da procissão que parecia sem fim, a energia das Islas del Sol e de La Luna, as asxilas peludas de uma chica pela qual estava apaixonado. Foi quando encontrou o colombiano. E o charuto dominicano.
Balaio I
Textos, documentos, idéias e histórias que se perderam no tempo. Eis o Balaio, publicação datada. Jornal Estafeta, Veranópolis. Piccola città, cerca de 20 mil habitantes na Serra Gaúcha, Brasil. Mantive por algumas semanas uma coluna sobre música ao estilo fogo num palito de fósforo. Liga, queima e não acende mais do que duas velas.
22 de junho de 2001.
Um novo colunista “Acredito que seja meu dever fazer uma breve apresentação dessa nova coluna. Na verdade, quem é novo sou eu. Ela já existia, mas acabou extinta por falta de colaboradores. Pelo menos me informaram dessa forma. Propus-me, então, a enviar algumas matérias musicais e o pessoal não fez nenhuma objeção. Que bom! Ou que ruim! Vamos ver o quanto útil poderei ser aos interessados e aqueles que, muitas vezes, entendem mesmo do assunto. Aí pela Serra todos são muito rockeiros, não? Legal! Acharia fantástico se todos fossem jazzeiros, bluseiros, brasileiros também! O importante é que a música existe e deve ser curtida, aproveitada e por que não cultuada? Sim. Deixemos a música invadir nossa alma e nosso coração. Ela é arte. A arte nos toca na medida do possível. Não importa quem a faz, mas o que se faz. Sejamos críticos. Há uma frase que diz que o mundo é muito curto para que se beba vinho barato. Protejamos o que de bom é produzido. Bah, acabei esquecendo da minha apresentação… Não faz mal. Aos poucos vou contando um pouco de mim. Por enquanto, meu nome é Maurício Boff. A partir de agora nessa coluna. Assim espero…”
Que várzea. Começar uma coluna e terminar o primeiro texto com “assim espero” é prever um trágico futuro.
Why travel?
Travelling, ah, travelling… Everytime I think about it I remember stories of life that created inside my brain images of adventure and freedom related to be on the road. I tell you now of of them.
December, 2001. Some friends and I were in first semester of the School of Journalism at UFRGS in Porto Alegre. In less than 10 minutes we decided to go to Bolivia and Peru in summer holidays. We had a few money each. So, the idea was putting ourselves inside buses, trains and whatever was necessary to get in Cuzco, the old-capital of Inka Empire destroyed by Spanish colonial gold and silver hunters.
As South Americans, there is always a feeling of discovering and fixing this continent. It is hard to describe, as much as explaining why South America is a forgotten territory. There is even among us this idea! I really don’t know the theories and answers. I’ll try to figure out, really. Next time I’ll get long with this analysis.
I told my friends in that historical 10 minutes we could moved on as Ernesto “Che” Guevara and Alberto Granado did during the 50’s. We aren’t Che or Granado. We’d never be. But that idea of discovering ourselves travelling and trying to understand this mysterious continent contaminated our minds. We would be part of a change that could never be fixed. Because there is nothing to be fixed! We decided to persecute the right path as beautiful as we believe.
All people that participated in that two months trip changed themselves and their lives for good! My brother, Marcel, and I lived in Australia; Rafa, my cousin, in France and Angola; my friend, Ana, still lives in Portugal; Max is a shaman in an island called Ilha de Santa Catarina, Brazil; Rech moved to England and now back to Itapiranga. We carry good stories, memories and friendship.
Just good energy could change ourselves. So, the world.
NOTE
One of my mates that participated in that meeting were responsible for this concept called 2backpacks.com . But in that time he was more worried of getting drunk and having fun. I was the old man. In that days, I called him Buñuel. I still believe he has the face of Spanish genius film-maker Luís Buñuel. You don’t need to agree. What I still don’t know is why he decided not to go…
New place
There’s always a challenge when you move on. In my case, here I am in a new webspace, a project full of resources and sharing stories with great bastards all together as a mad hippie journalistic community.
I cannot write anything smart at this time of morning. It’s a matter of mood. I’m sure you understand. Maybe in a few posts you define this blog as a FUBU (Fucking Ugly But Useful). What can I do? This is the price to pay.
But I must say one essential thing, at least:
It couldn’t be more perfect the last three years of my life. That night was the endless night. That smile was the unforgettable smile. That smell changed my capacity of believe.
I love you. Ever.
