Segundo meus cálculos
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Não sai de minha cabeça há dois anos, 10 meses e seis dias. Mas suspeito que tenha estado a vida inteira.
Três dias em São Paulo – Parte I
São Paulo (SP) – Manhã de sexta-feira. Céu cinzento, como de costume. A curitibana da frente do ônibus ao lado derramando uma ou duas lágrimas pela fumaça dos carros. De Guarulhos a Congonhas, uma viagem mais longa do que do Salgado Filho a Cumbica: uma hora e 47 minutos. Por pouco, muito pouco, não haveria o sobrevôo da espaçonave da Mãe de Todas… Mas, por obra do Divino Espírito Santo, o período de duas semanas prometia o afastamento total e pleno de qualquer evento do bagaço diário.
Do hotel, na Nove de Julho, os Jardins, o Ibirapuera atrás de um prédio de 9.973 andares, o topo da Paulista e as antenas de 7 quilômetros de altura e a conjuntura Oscar Freire-Haddock Lobo-Augusta. O convite ao consumo! Siiiiiim!!! “Regalos, presentes e coisinhas bonitinhas, bacanas e descolas pra usar. Pode, pode!”, diz ela. E eu perdido na contagem dos trocados e articulando a velha arte do malabarismo brasileiro (aqui um parêntese: desconheço o motivo do Circo Chinês não ter enviado alguém pra aprender essa arte. “Alô, Diretório!” Todo brasileiro – ou, talvez, a maioria de nós – daria o supletivo, curso superior, mestrado, doutorado e Ph.D em seis meses). Mas eu sabia que ainda era cedo. Teria ainda a 25 de março e “ornamentos indianos que são coisas que EU SEMPRE quis em toda a MINHA VIDA. Não me sufoca”. Certo. “Salve, salve a cachoeirinha!!!”, penso.
As ruas e avenidas de São Paulo são verdadeiras aventuras urbanas. Ricas em detalhes. As lojas, de fato, tendem a conceitos próprios. A concorrência e a necessidade da sobrevivência levam o lojista a vestir o bambolê que resulta no agradável convite ao consumo. Eu mesmo não resisti e comprei camisetas. Mais de uma, em lojas diferentes e não apenas na região próxima ao Parque Tenente Siqueira Campos. A Vila Madalena tem departamentos descolados, mas que só pude conhecer pelo faro apurado dela. Ainda estou aquém desse tipo de habilidade. A conjuntura dos astros me apresentaram outras ferramentas, sabe como é…
O sobe e desce nas ladeiras iria detonar as rodillas. Queria conhecer a loja dos E.Ts, mas era apenas sexta-feira. Fazia cerca de quatro horas que estávamos em São Paulo. Metrô! Metrô! O destino: 25 de março. Agora, francamente, quem poderia no mesmo dia, de salto, saia, perfume importado e adereços consumir Prada e comprar bugigangas no Centro de São Paulo? Eu conheço.
