Lupi canta Porto Alegre
Chegava em Porto Alegre hoje pela BR-116. De Canoas, via-se o topo do Morro da Polícia com núvens escuras, quase negras. É possível que chova. Mais um dia nessa primavera maluca no ano da tangerina flamejante. Lembrei de uma marchinha do Lupicínio Rodrigues. Não é muito conhecida, mas é de total melodia e beleza – como praticamente toda composição do mestre gaúcho. Pelo que consta a pesquisa de Roberto Campos, a marcha Minha Cidade teria sido composta para o 1° Festival Sul-Brasileiro da Canção Popular, no agora longe setembro de 1967. Aqui, um detalhe: minha mãe não ovulava nesta época. Mas, voltando ao que interessa, a canção não figurou entre as finalistas…
Não me censurem por estar chorando / Ao contar coisas da minha cidade / É que eu agora estava recordando / Quando estas ruas eram só / Paz, amor e tranqüilidade / O Rio Guaíba nos deliciando / Nos dando banho de felicidade / E um seresteiro só nos acordando / Quando das musas sentia saudade / E o cafezinho de cem réis nos bares / Bancos das praças pra se namorar / E o Rato Branco ao nos ver abraçados / Preocupados os coitados / Vinham logo nos cuidar / Tinha retreta todos os domingos / Jogos de bingo para se jogar / E eu recordando cheio de saudade / Como é que querem que eu não vá chorar
PS: A realidade de hoje pode ser desdobrado nesses versos. Logo mais, faço meus comentários.
Da série "recordar é viver"…
Penso. Logo, existo.
(Nota: o recado é para os momentos difícies. Há quem prefira granola. Gosto não se discute.)
Escritos de final de semana
A impressão que tenho sempre que descanso é de que as esperanças se renovam. Foi assim este final de semana. Fazia cinco semanas que a palavra folga escapava do meu vocabulário. É o “contra”, digamos, na vida do repórter.
O vale na serra ajudou as idéias a fluírem, longe de qualquer restrição mental ou pensamento minimalista. Sonhar nunca foi pecado. Projetei o futuro e avaliei alguns passos a serem dados. Mas o mais importante foi ter me centrado no momento. Nela. Em nós. Pra cada segundo, a certeza de que eles eram únicos, eternamente vivos entre o sentir e o lembrar. O tradicional sorriso de canto de boca – típico sorriso “maroto” do vencedor – foi permanente de sábado a domingo. Não fosse a barba, você veria as rugas ao cruzar comigo em Porto Alegre. Agradeci a Deus uma porção de vezes, mas, ainda assim, acho que agradeci pouco.
A sorte sorri pra nós. De modo que a energia está aí pra ser canalizada. Não vou cansar de perguntar: o que estamos esperando?!
